Estrela (Brasil)

A Manufatura de Brinquedos Estrela era uma licenciada preferencial da Hasbro no Brasil. A empresa americana teve até um escritório de representação dentro das dependências da brasileira. Muitos brinquedos que ficaram na memória das crianças por aqui foram fruto dessa parceria, como Banco Imobiliário, Genius, Transformers, e, claro, G.I. Joe.

A história da Estrela com G.I. Joe começou nos anos 70, quando ela lançou o Comandos em Ação Falcon por aqui e foi muito bem sucedida. Em 1984, eles passaram a lançar a linha de A Real American Hero com o nome de Comandos em Ação.

Adaptada para o nosso mercado, algumas liberdades foram tomadas em relação aos originais. As fichas eram inteiramente reescritas. Inicialmente, o inimigo dos comandos era um Snake-Eyes rebatizado de O Invasor, e o Cobra só desembarcou em solo nacional na segunda série. Além disso, muitos bonecos foram repintados e remontados e veículos chegaram a ser inteiramente de fora da linha, fazendo com que muitos itens tenham sido vendidos com exclusividade por aqui.

Comercial do Comandos em Ação, de 1988

A qualidade do brinquedo aqui não deixava a desejar em relação ao original. Segundo matéria do Caderno de Economia do Jornal do Brasil de 10 de outubro de 1989, aproveitando de sua boa qualidade e baixo custo em relação a outros países, a empresa faturava US$ 20 milhões exportando G.I. Joes, Barbies e outras marcas para mercados estrangeiros incluindo suas matrizes. De fato, é possível encontrar o “Made in Brazil” em vários itens americanos, como a versão vendida por correio do Vamp mk. 2.

Matéria do Jornal do Brasil sobre as exportações da Estrela.

Para se ter uma ideia do sucesso da marca no mercado brasileiro, em artigo do Caderno Negócios da Folha de S. Paulo de 20 de julho de 1989, a Estrela declarou que esperava vender três milhões de unidades entre veículos e bonecos naquele ano. Segundo artigo do caderno de Economia do Jornal do Brasil de 4 de maio de 1990, Comandos em Ação faturou US$ 32 milhões apenas naquele ano, em que o país passava pela ressaca do Plano Collor, o que representava 10% de todo o faturamento da empresa. Nada mau.

A longevidade da marca ajuda a colocar em perspectiva sua popularidade por aqui. Comandos em Ação durou 12 séries no Brasil entre 1984 e 1995, sendo sinônimo de bonecos de ação para várias gerações de garotos. Nenhuma licenciada internacional de G.I. Joe nem tampouco a concorrência (action figures com apoio em outras mídias como Transformers ou Thundercats) chegaram nem à metade desse tempo.

De fato, pode-se observar na matéria mencionada acima que o hoje cultuado He-Man foi, na época, considerado uma moda passageira, enquanto os Comandos, que foram muito mais estáveis, atualmente estão quase esquecidos.

Não se pode culpar a qualidade dos concorrentes. O mercado, na época, não era pra brincadeira, por assim dizer. Os Comandos em Ação venceram a batalha contra uma eterna crise, passando por sete planos econômicos e uma inflação total de 775 bilhões por cento (IPCA pela calculadora do Bacen).

Por aqui, o desenho também foi um grande sucesso na Rede Globo, mas as HQs nunca caíram no gosto dos brasileiros. A Estrela não teve envolvimento com nenhum lançamento dessas mídias, a não ser para ceder o nome.

A história da Estrela com o G.I. Joe – A Real American Hero terminou já quando a empresa estava se adaptando a um mercado mais aberto inundado de brinquedos chineses. Mas isso não foi o fim dos Comandos em Ação. Eles chegaram a lançar uma linha que não tinha nada a ver com a da Hasbro nos anos 2000 usando o nome de Novos Comandos em Ação. Os bonecos, no entanto, não tinham as mesmas qualidade e articulações e a linha não foi para frente.

Comercial dos Novos Comandos em Ação.

A Estrela também relançou o Comandos em Ação Falcon em 2017. Em uma estratégia de mercado voltada para colecionadores e saudosistas, a marca conseguiu encontrar seu espaço.

O relançamento foi possível porque, na primeira vez em que foi lançado, os moldes do Falcon foram comprados e todos os nomes reinventados, o que facilitou as coisas, mas com o Comandos é diferente. Hoje, a Hasbro está presente no mercado brasileiro e a Estrela não tem mais a licença e os moldes (que teriam sido cedidos na época em regime de comodato) para lançar personagens do G.I. Joe, ainda que permaneça com os direitos sobre o nome Comandos em Ação.

Também por essa razão, os novos lançamentos de brinquedos, desenhos e filmes não usam mais o nome Comandos em Ação no Brasil e estão sob responsabilidade da Hasbro.

Só nos resta torcer para que um dia essas dificuldades legais possam ser contornadas para podermos ter com o Comandos algo parecido com o que foi feito com o Falcon.

Veja abaixo as séries da Estrela ano a ano e clique para saber mais:

Em nossas vitrines, os itens da Estrela ocupam lugar de destaque.